Pastoral

Domingo, 16 de maio de 2021.

Não te glories do dia de amanhã; porque não sabes o que produzirá o dia. Pv. 27.1

Podemos observar, pelos relatos bíblicos e históricos, que de tempos em tempos algo impactante ocorre no mundo e com a humanidade. Tem sido assim em cada geração.

Até bem poucos dias, na minha ignorância, ficava a pensar no livro de Romanos (14.1) e Filipenses (2.10) quando dizem: “...diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus.” Cria ser algo física e logicamente impossível.

A poucos dias compartilhei com um dos meus filhos: agora entendo, ao mesmo, a primeira parte do versículo. Um vírus que ninguém vê, fez toda a nação, todos os povos, literalmente, “dobrarem-se”, “curvaram-se” a algo que parece irreal, mas com uma efetividade de nos fazer pensar sobre o amanhã. Sobre o amanhã? Não, sobre o hoje.

Porque pensar sobre o ontem, na maioria das vezes, somente nos traz arrependimento, e até remorso, pois não podemos mais reverter o que fizemos ou deixamos de fazer (em especial, antes da Pandemia/Covid-19). Porém, podemos tirar boas lições, tais como: por que não abraçamos? Por que não visitamos? Por que não ligamos? Por que não elogiamos? Por que não demos mais risadas? Por que não fizemos mais caminhadas ou piqueniques nos parques públicos? Ou até mesmo, por que não nos lambuzamos mais com nossos filhos, com aquele picolé baratinho que derrete tão logo sai do papel? Bem aqui caberia um rol de ‘porquês’ ou de ‘poderia’. Mas como passou, passou.... não pode mais.

Pensar sobre o amanhã? Talvez fazer planos – e devemos fazê-los. Porém o amanhã não nos pertence. Por isso que Salomão diz em Provérbios 27.1: “Não conte vantagem a respeito do futuro, pois você não sabe o que o amanhã trará”. Nesse sentido, Tiago 4.15 diz: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Para o amanhã, cabe-nos fazer planos, mas sua execução dependerá da vontade e soberania de Deus.

Então nos resta o hoje. Mateus 6.34 diz: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: O dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado." Sobre o hoje temos algum domínio; podemos ler a Bíblia; orar; abraçar; conversar com um familiar, de forma respeitosa; ligar para um amigo ou irmão – e quando possível, visitá-lo; ter um olhar positivo e prospectivo sobre as pessoas; fazer nossas caminhadas; tomar um picolé/sorvete com nossos filhos, ainda enquanto crianças – e por que não depois de adultos?

Pensemos nisso! Por enquanto - e creio – momentaneamente, ainda é possível estarmos dobrados ante uma doença pandêmica; daqui algum tempo, ante o Deus todo poderoso. Hoje é o dia que o Senhor nos permitiu viver com algum domínio sobre ele.

 

Presbítero Sebastião Faustino de Paula