Pastoral

Por que nasci nessa família e não em outra?

Domingo, 17 de outubro de 2021.

Deus faz que o solitário viva em família; liberta os presos e os faz prosperar; mas os rebeldes habitam em terra árida. Salmo 68:6

De alguma forma, Deus permite que cada um de nós nasça em uma família diferente da outra. Porém, se não a maioria, boa parte de nós já se questionou ou já se perguntou: por que nasci nesta “minha” família e não em outra? Em especial quando se é criança, e até adolescente, é comum fazer esse questionamento. Aos nossos olhos, as outras famílias são, se não perfeitas, ao menos melhores do que a nossa.

Eu mesmo, quando criança, se tivesse a opção, naquela época, preferiria ter nascido na família de um tio que, aos meus olhos, era rico, em vez da minha que era pobre. Mas graças a Deus, que pela sua infinita misericórdia e amor, não acolhe todos os nossos pedidos e desejos.

Lembrei-me desse fato ao ler a história de Gideão, narrada no capítulo 6 do livro de Juízes. Registram as Escrituras que os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos de Deus, em decorrência eles foram entregues nas mãos dos midianitas por sete anos. Tudo que o povo de Israel plantava, colhia, produzia ou criava, era saqueado pelos midianitas, amalequitas e outros povos do oriente.

Diz assim Juízes 6. 4:7: “E punham-se contra ele em campo, e destruíam os frutos da terra, até chegarem a Gaza; e não deixavam mantimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos. Porque subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, em grande multidão que não se podia contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra, para a destruir. Assim Israel empobreceu muito pela presença dos midianitas; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor. E sucedeu que, clamando os filhos de Israel ao Senhor por causa dos midianitas, enviou o Senhor um profeta aos filhos de Israel, que lhes disse: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Do Egito eu vos fiz subir, e vos tirei da casa da servidão; E vos livrei da mão dos egípcios, e da mão de todos quantos vos oprimiam; e os expulsei de diante de vós, e a vós dei a sua terra. E vos disse: Eu sou o Senhor vosso Deus; não temais aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; mas não destes ouvidos à minha voz.”

Gideão estava malhando trigo no tanque de pisar uvas, escondido, para que os midianitas não o encontrasse. Isso mesmo, Gideão, apesar do medo, estava trabalhando; aprendi, também, que Deus sempre chama os ocupados, mas esse tema será objeto de outra pastoral.

Bem, nesse contexto aparece o anjo do Senhor a Gideão e lhe diz: “O Senhor é contigo, homem valente”. Ao que Gideão lhe respondeu: “Ai, Senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém agora o Senhor nos desamparou, e nos deu nas mãos dos midianitas”.

Então o Anjo do Senhor olhou para Gideão e disse: “Vai nesta tua força, e livrarás a Israel das mãos dos midianitas; porventura não te enviei eu?” Obviamente teria visto o anjo que Gideão estava com muito medo.

Mas vejamos a resposta de Gideão: “Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menos valoroso da minha casa”. A propósito, Davi também era o “menor” da sua casa quando fora escolhido rei.

Nesse quesito Gideão tinha razão; como é sabido, naquela época, em Israel existia muitas famílias nobres, famílias de valentes – aos olhos humanos. Mas como diz em 1 Coríntios 1. 27:29: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e, as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”.

O final dessa história, todos conhecemos: com apenas 300 homens Gideão – que se julgava o menor da sua família – derrotou todo aquele numeroso povo inimigo.

A força de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza, independentemente da família onde Deus permitiu que tenhamos nascido. Que aprendamos a ser gratos e a valorizar a nossa família. Se hoje sou o que sou – e você é o que é -, dê graças a Deus por isso.

Mesmo que você se sinta o menor da sua família, ou que, aos seus olhos, a sua família seja a menos influente; lembre-se que quando somos fracos aí que somos fortes (2 Co. 12:9).

 

Porque o Senhor é a nossa força.

Pres. Sebastião Faustino de Paula